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domingo, 19 de julho de 2015

Trades x Resultados x Emoções

"Então, quer operar no mercado? Quer investir? Quer ser rico?

Boa sorte. É uma decisão corajosa. Saiba que está entrando em um dos ambientes mais concorridos e darwinianos na face da Terra. Somente os predadores sobrevivem para recolher as recompensas. E, para juntar-se a eles, você terá de ter - ou desenvolver - competência técnica, paciência e equilíbrio emocional.

Esses predadores são pessoas coerentes. São traders que sabem exatamente o que querem, têm um plano para consegui-lo e executam-no sem medo ou piedade.

Você também pode dominar o lado técnico do mercado e desenhar um plano, mas será que consegue dominar seu lado emocional o suficiente para segui-lo? As estatísticas mostram que não. A maioria perde, apesar de saber o que deveria fazer. Acaba sucumbindo às suas emoções - medo, esperança e avareza - e desviando-se do plano.

É bom que existam traders assim. Afinal, o mercado é um jogo em que nem todos podem ganhar. Os prejuízos dos perdedores pagam os esforços dos traders mais consistentes. Dão vida ao mercado, são seu sangue.

Você, antes de entrar, deve decidir em que lado quer jogar. Quer dar vida ao mercado ou viver dele? "


Se identificou com alguma parte do texto acima?

Esse alerta aparece na contra capa do livro Ferramentas Mentais para Traders - Vença suas emoções e ganhe nos investimentos do Andrew Smith.

Logo no prefácio o autor informa que a vida de trader parece fácil, mas não é, pois como qualquer outra profissão exige conhecimento, disciplina e dedicação. Além disso, alerta que a emoção toma conta da razão do trader e o que era lucro vira prejuízo.

O próprio autor conta que começou a investir em ações no ano de 1999, nas empresas de tecnologia, pois estavam multiplicando dinheiro. Só que o mercado parou de subir e quando começou a cair ele ficou paralisado. Ai foi estudar pra ver o que estava acontecendo e conheceu a PNL (programação neuro linguística) quando descobriu como os pensamentos afetavam as ações. Além disso, descreveu no livro o resultado da sua busca e de entrevistas com traders veteranos e de como faziam para cortar os prejuízos logo e deixar os lucros crescerem. É um livro para traders, mas acima de tudo, uma ajuda no autoconhecimento.É difícil encontrar pois sua edição está esgotada, mas para aqueles que conseguirem, vale a pena a leitura.




quinta-feira, 16 de abril de 2015

Para Pensar e Refletir

Essa semana li um texto do Mark Ford e achei que tem a ver com quem está iniciando no mundo dos investimentos em ações, por isso resolvi publicar uma parte aqui. Ele discorre sobre algumas razões pelas quais as pessoas não tomam atitudes e uma possível solução. 

Comecemos pelas razões:


"*Falta de confiança: Pessoas que ainda não foram bem sucedidas na vida e não acreditam que possam ser, mesmo se estiverem totalmente preparadas para o sucesso.

*Medo da dor: Algumas pessoas veem a tomada de atitudes como trabalho e o trabalho como uma forma de dor. Essas são normalmente as pessoas que nunca tiveram o prazer de trabalhar em algo de que gostam.

*Preguiça: Além do medo do trabalho, os seres humanos são programados para serem preguiçosos. Isso significa tentar conseguir o que querem com a menor quantidade de esforço possível. Algumas pessoas não tomam atitudes pois querem encontrar uma maneira mais fácil."


Talvez seja por isso que investidores iniciantes estejam sempre atrás de dicas e de trading systems que sejam o Santo Graal? Seria falta de confiança, medo de tomar decisão errada e com isso gerar dor ou pura preguiça? Enfim, investir é tomar decisões. Certas ou erradas só o tempo revela, mas aprenda com elas e a cada sucesso, cada operação bem feita, o que não necessariamente será um bom resultado financeiro, recompense. Por que? Veja na continuação do texto abaixo:


Uma possível solução:
            
..."Não há nenhum mistério nisso. Cientistas comportamentais sabem que a maneira de mudar o comportamento de uma pessoa é motivando-a através de um reforço positivo.

Foi isso que B.F. Skinner disse no livro A Brief Survey of Operant Behavior (Uma Breve Pesquisa sobre o Comportamento Operante):

            Sabe-se há muito tempo que o comportamento é afetado por suas consequências. Nós recompensamos e punimos pessoas, por exemplo, para que elas ajam de maneiras diferentes... O reforço operante não somente dá forma à topografia do comportamento, mas mantém sua força muito depois da formação de um operante. "



 Think about it ! Act right now!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ESTUPIDEZ ARTIFICIAL

Um título forte para um projeto de pesquisa no MIT, mas é nisto que o professor e gestor de fundos de investimentos Andrew Lo está trabalhando atualmente.

Neste vídeo entrevista de 02/05/14 com Consuelo Mack da Wealthtrack, Lo comenta que entender como os investidores cometem erros automaticamente e como seus portfólios de investimentos estão sujeitos a estes erros é um modo para se chegar a um “antídoto” para nos tornar “mais espertos”. 

Comenta que todos nós vamos perder dinheiro com investimentos (se já não perdemos). Só a título de exercício quantos de nós já não comprou algo na máxima (mais caro) e depois vendeu na mínima (mais barato)?

O projeto de pesquisa tenta identificar as tendências naturais dos indivíduos e compará-las com resultados a fim de verificar quando essas tendências foram benéficas e quando foram prejudiciais. Identificar o que é a estupidez artificial e tentar fazer o oposto.

No projeto identificou 11 tipos diferentes de cognição humana que são prejudiciais para os investimentos e comenta que um dos maiores erros é demorar demais para sair de uma posição perdedora após uma grande queda do mercado, pois além de fazê-lo perder capital isso faz com que demore mais tempo para voltar a ter confiança e reinvestir seu dinheiro, podendo fazê-lo perder grandes oportunidades.

Um antídoto para este comportamento é estabelecer o rebalanceamento automático/periódico  a fim de evitar reagir emocionalmente à volatilidade do mercado.

Lo é a favor da diversificação, mas alerta que o investidor deve analisar sua tolerância a perdas/riscos e montar um portfólio compatível com seus objetivos, necessidades, idade, tolerância a falta de liquidez e circunstâncias. A cesta de investimentos pode incluir (mas não se limitar a): ações, contratos futuros, ETFs, Títulos públicos, moedas, commodities.

Não é possível prever as catástrofes, mas é importante saber identificar se o ambiente de mercado está normal (volatilidade média) ou anormal (volatilidade alta/acima da média), pois em tais ambientes as ações podem não ser bons negócios para se expor ou deve-se reduzir esta exposição.


#Ficaadica: assista a entrevista em inglês em http://www.youtube.com/watch?v=tMutcOTeSaY 


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Andrew Lo, professor de finanças e diretor do laboratório de engenharia financeira no MIT Sloan School Of Management (http://www.argentumlux.org/home-42.html ), e Chairman & Chief Investment Strategist do Alphasimplex Group (http://www.alphasimplex.com/)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Finanças Comportamentais

Como conquistamos a independência financeira? Como fazemos escolhas de investimentos? É possível alcançá-la sem ter disciplina, conhecimento e atitude?

Há uma estatística ( http://www.baaa-acro.com/Statistiques%20diverses.htm ) relatando que 67,57% dos acidentes aéreos têm como causa a falha humana ( incluindo-se os pilotos, os controladores de tráfego aéreo e os manutentores), através de uma sequência de más decisões, tomadas antes e durante o voo, as quais, juntas, começam a formar uma perigosa corrente de acontecimentos. Para que o acidente seja evitado, ao menos um elo dessa corrente precisa ser quebrado. 


Esta história contada no livro do Aquiles Mosca – Finanças Comportamentais – é uma bela introdução que nos chama a atenção para o complexo processo decisório humano. Ele cita em sua obra que todos temos características inatas e tendências inconscientes, das quais ninguém está imune, e que tanto afetam o nosso modo “racional” e “eficiente” de tomar decisões com base nas informações disponíveis. Identificar estas características, estar consciente das nossas emoções e atitudes, saber como elas influenciam nossas percepções e decisões pode nos ajudar a reagir melhor frente a elas e a fazer melhores escolhas no dia-a-dia, inclusive em relação aos investimentos.


Hipótese Básica     : Somos 100% racionais em nossas decisões e ações.

Crítica a essa Hipótese : Porque então existem falências, recessões, bolhas? Isso é racional?

O estudo destas questões recebeu o nome de Finanças Comportamentais, que teve início na década de 1980 com Amos Tversky e Daniel Kheneman (prêmio Nobel em 2002).


ESTUDOS
Qual a sua escolha, Cesta 1 ou 2 ?

                        


Resposta Racional     : Maior retorno médio = R$ 8.000 = Cesta 1 (20% dos indivíduos). 
Resposta mais escolhida  : Menor retorno médio = R$ 7.000 = Cesta 2 (80% dos indivíduos)

Porque isso acontece? 

O ganho certo distorce a escolha, a maior parte das pessoas não está disposta a correr risco para ganhar, além de subestimar o potencial de alta de ativos de risco (Efeito Certeza). 

Por isso que no mundo inteiro existe mais dinheiro investido em renda fixa (p.ex.: poupança) onde os ganhos são mais estáveis e previsíveis do que em renda variável (p.ex.: ações) onde a oscilação é bem maior, porém os retornos também podem ser mais elevados quanto mais extenso for o horizonte de tempo de comparação.



Qual a sua escolha agora, Cesta 1 ou 2 ?




Resposta Racional           : Menor prejuízo médio = R$ 7. 000 = Cesta 2 (8% dos indivíduos). 
Resposta mais escolhida  : Maior prejuízo médio =  R$ 8.000 = Cesta 1 (92% dos indivíduos).

Porque isso acontece? 

A maioria das pessoas mostra forte disposição a correr riscos para evitar perdas, mesmo que implique, na média, perder mais. 



“Não somos avessos a riscos, somos avessos a perdas”


O estresse associado à perda é maior que o prazer associado a um ganho de mesma proporção, impedindo a maioria dos investidores aceitar riscos, se isso trouxer a possibilidade de evitar/limitar perdas potenciais. 



Sofremos mais com uma perda do que temos prazer com um ganho. 



O PROCESSO DECISÓRIO






O prazer de ganhar é menor que o estresse da perda.




Perder é muito estressante.



EXPERIMENTO (B. Shiv – Universidade de Stanford – 2.008)

Grupo 1: indivíduos normais

Grupo 2: indivíduos com lesões no cérebro, na região onde se registra o medo

Cada indivíduo recebeu $20 e podia apostar $1 por jogo de cara ou coroa que foi repetido 20 vezes. Se perdesse, perdia $1, se ganhasse a rodada levava $2,50.


Investidor racional: apostaria todas as vezes.

Resultado real: diminuiu a aposta a cada novo arremesso.




Mesmo sendo a expectativa matemática do experimento sempre positiva: (50% * 2,5) – (50% * -1) = +0,75, na vida prática, as emoções, principalmente o medo, interfere em nossa predisposição ao risco, exercendo impacto maléfico na vida dos investidores.

Um indivíduo mediano que ingresse no mercado de trabalho aos 20 anos e que se aposente aos 65 anos, tem 45 anos ao longo dos quais tomará decisões de investimento da poupança formada ao longo deste período, sujeito a essas influências/tendências comportamentais que podem mais prejudicar que beneficiar caso não identifique e mude tais atitudes.



OS 3 MAIORES MEDOS (Fear Factor – Universidade de Cambridge)

Falar em público (90 pontos)
Morte (69 pontos)
Não ter recursos financeiros para o próprio sustento (65 pontos)

Ou seja, um médico que cuida de um paciente enfermo lida com um medo que, do ponto de vista de intensidade, é muito semelhante àquele que um assessor financeiro trata ao conversar com um cliente.


FOBIA DE INVESTIMENTOS (Investment Fobia – Universidade de Cambridge)

50% das pessoas têm aceleração do ritmo cardíaco quando lidam com contas pessoais
11% sentem mal-estar físico (dores de estômago, de cabeça) quando precisam lidar com oi próprio dinheiro.
15% evitam abrir envelopes bancários ou acessar contas via internet para evitar tais transtornos.
23% das mulheres e 18% dos homens foram diagnosticados como portadores de fobia financeira.